Relatório de Acompanhamento da Conjuntura Econômica

 

Mês/Ano: Abril /2009

Economista Responsável: Dimária Silva e Meirelles

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A produção industrial brasileira em março apresentou queda de 10% em relação a março de 2009. É uma queda significativa, porém inferior ao registrado nos dois primeiros meses do ano. Como se pode observar no gráfico a seguir, nota-se em março uma reversão no ritmo de queda tanto em extrativa mineral quanto na indústria de transformação.

Fonte: IBGE

A tendência sinalizada pelos últimos doze meses até março de 2009, é, no entanto, de queda na produção. Tanto a indústria geral, quanto extrativa mineral e transformação apresentaram uma redução de 1,9% no período.

 

Dentre os segmentos de uso (gráfico abaixo), o pior desempenho é de bens intermediários. Importante sinalizador das encomendas da indústria, este segmento apresenta queda de 4,3% nos últimos 12 meses, comparativamente a igual período do ano anterior. Bens de capital vêm apresentando forte desaceleração, mas ainda registram um crescimento de 4,9% na produção dos últimos doze meses.

 

Fonte: IBGE

 

Curioso notar que o segmento de bens de consumo se mantém estável nos últimos doze meses, com queda de apenas 0,9% em relação a igual período do ano passado. Grande parte desse desempenho se deve ao grupo de bens não duráveis, que apresentaram na mesma base de comparação um crescimento na produção de 2,2%, contrabalançando as quedas significativas de bens de consumo semiduráveis (-7,5%) e duráveis (-4,9%).

Vale observar que a produção de bens duráveis, apesar da forte queda nos últimos doze meses, apresenta um ritmo de recuperação considerável neste início de ano (gráfico a seguir). Após apresentar queda de mais de 40% em dezembro de 2008, comparativamente a dezembro do ano anterior, a produção industrial do segmento apresentou queda de apenas 13% em março, comparativamente a março de 2008.

Mais surpreendente ainda é a recuperação da produção de bens não duráveis. Após apresentar quedas sucessivas nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, o segmento apresentou em março deste ano um crescimento de 4,9% em relação a março de 2009.

Fonte: IBGE

 

A recuperação da produção industrial de bens duráveis e não duráveis reflete em grande parte o movimento de aumento de vendas no varejo. Como se pode observar no gráfico a seguir, após quatro meses consecutivos de queda, as vendas de veículos, motos, partes e peças, importante itens da categoria de duráveis, apresentaram um crescimento de 0,1% nas vendas de fevereiro, comparativamente a fevereiro de 2008. Vale observar que é um crescimento em cima de uma base de comparação bastante elevada, pois em fevereiro de 2008 o crescimento das vendas foi de 30,6% em relação a igual período do ano anterior.

Fonte: IBGE

 

Na categoria de bens não duráveis, onde se encontra hipermercados e supermercados, o crescimento de vendas se mantém positivo e com taxas elevadas desde outubro de 2008. Em fevereiro as vendas no setor cresceram 5,35% em relação a fevereiro do ano passado.

O crescimento de vendas, tanto do segmento de veículos, motos, partes e peças, quanto do segmento de hipermercados e supermercados, reflete essencialmente o bom desempenho do mercado consumidor interno. Entretanto, nota-se que no mês de março houve uma recuperação nas vendas externas em geral, principalmente de bens não duráveis e bens intermediários (gráfico abaixo).

Fonte: Funcex

É importante ressaltar que o aumento das vendas externas no mês de março é sazonal, o que significa que não necessariamente as vendas externas se manterão em ritmo crescente nos próximos meses do ano. Nesse sentido, pode-se afirmar que o ritmo de crescimento interno da produção industrial e das vendas no varejo ainda continuarão dependentes do mercado interno. A evolução do consumo interno, por sua vez, dependerá de indicadores como renda e emprego.

Sazonalmente fevereiro é o mês de queda no rendimento médio real e, ao mesmo tempo, aumento do pessoal desocupado (gráfico a seguir). Entretanto, os valores do rendimento médio real efetivamente recebido nos últimos cinco anos têm sido sucessivamente superiores, saindo de R$1.106 reais em fevereiro de 2004 para R$1.298 reais em fevereiro de 2009.

Um dado preocupante é o pessoal desocupado. Até fevereiro verificavam-se valores sucessivamente menores, comparativamente aos anos anteriores. Em março deste ano, porém, atingiu-se um patamar de pessoas desocupadas (2.082 mil) superior ao registrado em março de 2008 (1.952 mil pessoas).

Fonte: IBGE

 

O aumento no desemprego normalmente acarreta aumento na inadimplência, fator de forte impacto sobre as vendas no varejo. No gráfico a seguir é possível verificar que a partir de setembro de 2008 houve um aumento significativo na inadimplência. Ao mesmo tempo, houve uma estagnação na concessão de crédito total para pessoas físicas, bem como no crédito com recursos livres, voltado para o consumo.

Fonte: Banco Central

 

Conforme já detectado nos relatórios anteriores, o Fluxo Total de Capital Acumulado na Bovespa (azul) continua sua trajetória de alta iniciada em Janeiro. Em Março, observou-se o forte ingresso de Capital Estrangeiro para a Bovespa, mais que compensando a retirada do Capital das Pessoas Físicas (Lilás), que, com início em novembro, intensificou-se neste mês. Este foi o grande fator que permitiu a robusta elevação dos preços das ações até o momento.

 

Fonte: Elaboração Própria

 

 Fonte: Elaboração Própria