Relatório de Acompanhamento da Conjuntura Econômica

 

Mês/Ano: Fevereiro/2009

Economista Responsável: Dimária Silva e Meirelles

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A ação da crise internacional na economia brasileira parece ter-se iniciado a partir do final de 2008, mais especificamente a partir do mês de outubro. Como se pode observar no gráfico a seguir, até o mês de setembro, a indústria conseguiu crescer a taxas mensais positivas.

 

Fonte: IBGE

 

Extrativa mineral foi a que mais sofreu os efeitos da crise, chegando a apresentar uma queda de 21% no mês de dezembro, comparativamente a dezembro de 2007. A razão principal desta queda é o comportamento do mercado internacional.

Dos três grupos exportadores (básicos, manufaturados e semimanufaturados), o de produtos básicos, onde se inclui extrativa mineral, foi o que mais sofreu com a crise, no sentido do arrefecimento no processo de crescimento iniciado em 2006. No gráfico a seguir é possível notar que até agosto este grupo vinha num crescimento acelerado, chegando a apresentar, no período de maio a agosto, valores próximos à exportação de manufaturados (desde o final da década de 70 que a exportação de produtos básicos perde em participação na pauta de exportação para manufaturados). A partir daí inicia-se um processo de queda que ainda não dá sinais de recuperação. O total exportado em janeiro de 2009 foi 11% inferior ao registrado em janeiro de 2008.

Fonte: MDIC/SECEX

 

No balanço do ano o crescimento da produção industrial geral foi de 3,1% em relação ao realizado em 2007. Analisando o desempenho por setor (gráfico a seguir) nota-se que houve um grupo de atividades que apresentou um crescimento significativo em relação ao ano anterior, como: construção e montagem de aeronaves (58,2%); construção e montagem de vagões ferroviários (54,7%); tratores, máquinas e equipamentos agrícolas (31,6%); carrocerias e reboques (28,3%); fabricação de caminhões e ônibus (19,2%); artefatos de concreto, cimento e fibrocimento (16,8%); tintas, vernizes e solventes (12,3%); cimento e clínquer (11,5%).

Estas taxas de crescimento elevadas se explicam em parte pelo fato de que são setores cuja produção está relacionada às decisões de investimento da indústria, decisões estas que não são reversíveis rapidamente. Todavia, em função da reversão de expectativas, fator fundamental para o investimento, é de se esperar que esse desempenho não se repita em 2009.

 

Fonte: IBGE

 

A revisão das decisões de investimento já se fez sentir na produção industrial de bens de capital (gráfico a seguir). Até outubro o segmento apresentava taxas mensais de crescimento superiores a dois dígitos. Em novembro a taxa de crescimento foi de apenas 3,6% e em dezembro essa taxa fica negativa em 13,1%.

Fonte: IBGE

 

Todavia, vale observar que, em função das elevadas taxas de crescimento apresentadas até outubro, o segmento de bens de capital se destaca dos demais apresentando um crescimento de 14,4% em relação a 2007 (gráfico a seguir).

 

Fonte: IBGE

 

A produção de bens intermediários foi a que apresentou o pior desempenho no ano, com um crescimento de 1,6%. No desempenho mensal este segmento foi o que apresentou as maiores quedas nos três últimos meses do ano. Grande parte desta queda reflete a redução nas exportações. De todos os segmentos de uso este foi o que apresentou a maior queda nas exportações (gráfico a seguir).

 

Fonte: FUNCEX

 

O segmento de bens de consumo conseguiu fechar o ano com um crescimento na produção industrial um pouco acima de bens intermediários (1,9%). Entretanto, cabe observar que bens de consumo semiduráveis apresentaram uma queda de 1,9% no ano. Como se pode observar no gráfico a seguir, o segmento de bens semiduráveis foi o que apresentou o pior desempenho na avaliação mensal. Já os bens duráveis, apesar de fechar o ano com um crescimento de 3,7%, apresentaram as maiores quedas nos últimos meses do ano, chegando a apresentar uma queda de 42,2% na produção de dezembro em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

 

Fonte: IBGE

 

Tanto a queda na produção de bens semi-duráveis quanto duráveis parece refletir essencialmente o desaquecimento do mercado interno, sobretudo para duráveis tendo em vista que dos três segmentos de uso este é o que apresentou a maior estabilidade no total exportado ao longo do ano.

 

O desempenho das vendas do comércio varejista confirma esta hipótese (gráfico a seguir). De todas as atividades, apenas tecidos, vestuário e calçados e veículos apresentaram taxas negativas de crescimento no volume de vendas. Entretanto, cabe observar que as vendas de móveis e eletrodomésticos, pertencentes ao segmento de bens duráveis, conseguiram manter taxas mensais positivas nos últimos meses do ano, apesar de num patamar bem inferior.

 

Fonte: IBGE

 

A julgar pelo comportamento do rendimento médio real e da taxa de desemprego (gráfico a seguir), importantes balizados das decisões de consumo interno, é provável que as vendas no varejo ainda apresentem um ritmo razoável de crescimento neste início de 2009.

 

Fonte: IBGE