Relatório de Acompanhamento da Conjuntura Econômica


Mês/Ano: Junho /2009
Economista Responsável: Dimária Silva e Meirelles

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De acordo com os últimos dados fornecidos pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, a preços de mercado, apresentou no primeiro trimestre de 2009 uma queda de 1,8% em relação ao primeiro trimestre de 2008 (gráfico a seguir).

Fonte: IBGE

Das três principais atividades, apenas o setor de serviços conseguiu crescer no primeiro trimestre (1,7%). A indústria apresentou uma queda significativa (9,3%), sendo que a queda na indústria de transformação foi ainda mais proeminente (12,6%).

A retração no investimento e nas exportações são as principais responsáveis por esta queda. Como se pode observar no gráfico a seguir, a retração, do ponto de vista da demanda, se concentrou na formação bruta de capital fixo (queda de 14,0%), e exportações (queda de 15,2%). As despesas internas com consumo, tanto das famílias quanto da administração pública, apresentaram crescimento de, respectivamente, 1,3% e 2,7%.

Fonte: IBGE

A julgar pelos dados da produção industrial de maio, é possível afirmar que a indústria brasileira deverá repetir um desempenho semelhante neste segundo trimestre do ano. Apesar de apresentar uma queda um pouco inferior à registrada em abril, a produção em maio caiu 11,3% em relação a igual mês de 2008 (gráfico a seguir). Mais expressiva ainda é a queda na produção da indústria extrativa mineral (14,2% inferior ao registrado em maio de 2008).

Fonte: IBGE

No acumulado do ano até maio, a produção da indústria tanto geral, quanto de transformação e extrativa mineral, apresentou uma queda de 14,0% em relação ao acumulado em igual período do ano passado. No acumulado dos últimos 12 meses até maio, a queda da produção industrial é um pouco inferior, na faixa de 5,0%. Este é um dado preocupante, sinalizando que dificilmente a indústria conseguirá fechar o ano com crescimento, haja vista já estarmos fechando o segundo trimestre de 2009.

Vale observar que em algumas Unidades da Federação (tabela a seguir) a queda nos últimos doze meses é bem superior ao registrado no total do país, como é o caso do Espírito Santo (13,7%) e Minas gerais (10,4%). Por outro lado, alguns Estados ainda apresentam crescimento no período, como Paraná (2,5%) e Goiás (1,8%).



Locais

Taxa de Variação da Produção Industrial (%)

Maio 2009 / Abril 2009(*)

Maio 2009 /
Maio 2008

Jan-Maio 2009 /Jan-Maio 2008

Jun08-Mai09 /
Jun07-Mai08

Amazonas

11,7

-9,5

-17,8

-6,8

Pará

-5,6

-14,1

-8,3

-0,2

Região Nordeste

1,8

-11,1

-10,9

-5,2

Ceará

-4,3

-6,3

-6,3

-1,1

Pernambuco

0,0

-7,1

-9,7

-3,3

Bahia

7,5

-12,3

-12,5

-5,2

Minas Gerais

1,4

-20,0

-22,8

-10,4

Espírito Santo

-0,6

-29,0

-30,1

-13,7

Rio de Janeiro

0,6

-5,9

-8,7

-2,9

São Paulo

2,4

-11,6

-14,6

-4,5

Paraná

-4,1

-11,9

-3,7

2,5

Santa Catarina

0,6

-10,4

-14,1

-7,2

Rio Grande do Sul

0,6

-8,1

-14,6

-5,7

Goiás

-1,2

-4,8

-5,9

1,8

Brasil

1,3

-11,3

-13,9

-5,1

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Indústria (*) Com ajuste sazonal. Base: média de 2002



Dentre os segmentos de uso (gráfico a seguir), apenas bens de consumo não duráveis apresentaram crescimento nos últimos doze meses em relação a igual período do ano passado (1,5%). O segmento de bens de capital, que vinha até abril ainda com taxas positivas, apresentou uma queda de 2,8%, nesta mesma base de comparação.

Fonte: IBGE

O bom desempenho da produção industrial de bens de consumo não duráveis, relativamente aos demais, acompanha as vendas no varejo. Como se pode observar no gráfico a seguir, as vendas dos segmentos de combustíveis e lubrificantes, hipermercados e supermercados apresentam sistematicamente crescimento mensal.

Fonte: IBGE

No acumulado do ano até maio o volume de vendas de combustíveis e lubrificantes apresentou crescimento de 3,64% e hipermercados e supermercados um crescimento de 6,3%.

No grupo de bens duráveis, móveis e eletrodomésticos apresentaram uma queda de 2,6% no acumulado do ano até maio, em comparação com igual período de 2008. Apenas as vendas de veículos,, motos, partes e peças apresentaram crescimento no acumulado do ano até maio (1,8%). Grande parte deste desempenho é proveniente do estímulo fiscal através da redução do IPI para a indústria automobilística, tendo em vista que as vendas externas ainda apresentam baixo desempenho.

Como se pode observar no gráfico a seguir, dos segmentos de uso, apenas bens não duráveis apresentaram um crescimento das exportações em maio.

Este crescimento de bens não duráveis reflete, sobretudo, o fato de que estes são bens de consumo essenciais, de baixa elasticidade renda e preço, portanto, itens que apresentam certa resistência à queda.

Fonte: Funcex

Portanto, a indústria continua a depender do mercado interno. Entretanto, a julgar pelos dados recentes de renda, emprego e crédito, é provável que o fôlego do mercado interno venha a ser insuficiente para garantir um crescimento mais significativo da produção industrial.

Os dados referentes a desemprego apontam estabilidade neste segundo trimestre do ano. Como se pode observar no gráfico a seguir, apesar de crescer significativamente no primeiro trimestre, a taxa de desocupação nos meses de abril e maio deste ano ficou estável na casa de 8,9% e 8,8%. Ao mesmo tempo observa-se uma redução no rendimento médio real. Em março o rendimento médio real efetivamente recebido foi de R$ 1.301,00, situando-se no mesmo patamar de agosto de 2008.

Fonte: IBGE

O crédito, que seria um possível estímulo ao consumo e ao investimento, encontra-se estagnado, tanto para pessoas físicas como jurídicas, ao mesmo tempo, a inadimplência não para de crescer (gráfico a seguir).

Fonte: Banco Central