Relatório de
Acompanhamento da Conjuntura Econômica
Mês/Ano: Março /2009
Economista Responsável:
Dimária Silva e Meirelles
De acordo com os últimos dados levantados pelo IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a produção industrial
brasileira em janeiro apresentou queda de 17,2% em relação a janeiro de 2008. É
a maior queda mensal desde novembro de 2008, mês em que a indústria
efetivamente iniciou o ciclo de queda decorrente da crise internacional. Apenas
a indústria extrativa reduziu um pouco o ritmo de queda, porém ainda apresentou
uma forte retração em janeiro (-18,4%) na comparação com janeiro do ano
passado.
Fonte: IBGE
Nos últimos 12 meses o percentual de crescimento da produção
industrial ainda é positivo (1,0%), porém, a julgar pelas quedas dos últimos
três meses, a tendência de queda não demora a se apresentar. Analisando a
produção industrial por segmento de uso (gráfico a seguir), nota-se que a
produção de bens intermediários já apresenta queda de 0,8% nos últimos doze
meses, em relação a igual período do ano anterior. Normalmente este é o
segmento que capta a retração nas encomendas da indústria. Nesse sentido, é de
se esperar que o segmento de bens de consumo também confirme em fevereiro a
tendência de queda.
Bens de capital ainda apresentam um crescimento
significativo na produção industrial nos últimos doze meses(12,0%). Entretanto,
com exceção de bens de capital industriais não-seriados e equipamentos de
transporte, as modalidades de bens de capital apresentaram queda de produção
nos três últimos meses. Neste movimento de queda cabe destacar a produção de
bens de capital para construção civil, que apresentou em janeiro deste ano
queda de 66,1% em relação a janeiro de 2008.

Fonte: IBGE
No segmento de bens de consumo vale destacar a redução no
ritmo de queda da produção de bens duráveis. Após cair 42,2% em dezembro, o
segmento apresentou em janeiro uma queda de 30,9%, comparativamente a janeiro
de 2008.

Fonte: IBGE
Grande parte desta “recuperação” de duráveis se deve aos
incentivos fiscais à produção industrial de veículos. Como se pode observar no
gráfico a seguir, as vendas de veículos, motos, partes e peças vêm apresentando
uma recuperação desde dezembro. Em janeiro deste ano este grupo apresentou uma
queda no volume de vendas de apenas 0,3% em relação a janeiro do ano passado.

Fonte: IBGE
O único grupo que ainda apresenta queda expressiva nas
vendas internas é o de tecidos, vestuário e calçados. Os demais, como
hipermercados e supermercados, apresentam sensível crescimento, reflexo,
sobretudo, do bom desempenho dos indicadores de renda e emprego.
Vale destacar que as vendas externas vêm apresentando forte
queda nestes dois primeiros meses do ano. Como se pode observar no gráfico a
seguir, o segmento de bens duráveis, que vinha até dezembro (US$ 600 milhões)
mantendo um ritmo positivo de crescimento nas exportações, apresentou queda nas
vendas externas em janeiro, assim como os demais segmentos. Em fevereiro
nota-se um ligeiro aumento nas vendas, porém o total exportado (US$ 330
milhões) ainda é bem inferior ao verificado em fevereiro do ano passado (US$
501 milhões).
Enfim, a produção industrial neste começo de ano está
fundamentalmente dependente das vendas internas. A questão que fica em aberto é
o fôlego do mercado interno para garantir um ritmo de produção industrial capaz
de reverter a tendência de queda que se apresenta. Grande parte deste fôlego dependerá
de indicadores como renda, emprego e, sobretudo, gastos de governo, que podem
sustentar a produção em alguns segmentos ligados a infra-estrutura e construção
civil.
O primeiro trimestre do ano é sazonalmente marcado pelo
aumento do desemprego. No mês de fevereiro em particular a taxa de desocupação
foi de 8,5%, ligeiramente inferior ao verificado em fevereiro do ano passado
(8,7%). Entretanto, quando se observa os últimos cinco anos, nota-se que o
pessoal desocupado mantém uma tendência de baixa. As quedas sazonais no mês de
dezembro, em função de contratações temporárias para as vendas de fim de ano,
apresentam um total de pessoal desocupado sucessivamente inferior nesse
período. Em termos percentuais, a taxa de desocupação saiu de 10,9% em dezembro
de 2003 para 6,8% em dezembro último.

Fonte:
Funcex
O comportamento do rendimento médio real também vem até o
momento mantendo a tendência (de alta) dos últimos cinco anos. Os aumentos
sazonais no mês de dezembro, em função de pagamentos de férias e décimo
terceiro salário, apresentam valores sucessivamente maiores, saindo de R$1.296
reais em dezembro de 2003 para R$1.650,00 em dezembro último.

Fonte: IBGE
O Fluxo Total de Capital Acumulado na Bovespa (azul) continua
sua trajetória de alta em Janeiro.
Inaugurada em Outubro do ano passado, ela foi inicialmente
alimentada pela manutenção do Fluxo de Capital dos Investidores Institucionais
(Verde) e pelo arrefecimento das retiradas do Capital Estrangeiro (vermelho),
que foram muito fortes nos meses anteriores.
A partir de Fevereiro, entretanto, o fluxo de Capital
Estrangeiro reverteu e começou a refluir para a Bovespa, de forma que esses
fatores combinados têm mais que compensado a retirada do Capital das Pessoas
Físicas (Lilás), que teve início em novembro, permitindo a pressão compradora
que tem sido responsável pela elevação dos preços das ações no ano até o
momento.
Fonte:
Elaboração Própria