Relatório de Acompanhamento da Conjuntura Econômica

Mês/Ano: Agosto-Setembro/2009

Economista Responsável: Dimária Silva e Meirelles

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PANORAMA ECONÔMICO



De acordo com os últimos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia brasileira apresenta sinais de lenta recuperação, promovida, sobretudo, pelo mercado consumidor interno.



Como se pode observar na tabela a seguir, o PIB total do segundo trimestre apresentou um crescimento de 1,9% em relação ao registrado no primeiro trimestre deste ano. Nesta mesma base de comparação, cabe destacar o crescimento de 2,1% do PIB da indústria e do consumo das famílias.


PERÍODO

PIB (PRODUÇÃO)

PIB (CONSUMO)

Total

Agropecuária

Indústria

Serviços

Famílias

Governo

FBKF

2º. trim09/ 1º trim09

1,9%

-0,1%

2,1%

1,2%

2,1%

-0,1%

0,0%

2º. trim09/ 2º trim08

-1,2%

-4,2%

-7,9%

2,4%

3,2%

2,2%

-17,0%

1º sem 09/ 1º. Sem 08

-1,5%

-3,0%

-8,6%

2,1%

2,3%

2,5%

-15,6%

12 m / 12 m anteriores

1,3%

0,20%

-3,0%

3,1%

3,5%

4,2%

-2,2%

Valores correntes (BB R$)

756,2

56,1

163,4

432,9

471,2

155,9

118,8



Fonte: IBGE

Esta recuperação da indústria parece se manter neste início do segundo semestre (gráfico a seguir). Na comparação do mês de agosto deste ano com agosto do ano passado, a produção da indústria geral e de transformação registrou a menor queda do ano (7,0%).



Fonte: IBGE



A recuperação observada na indústria geral também ocorre nas categorias de uso, principalmente no grupo de bens de consumo (gráfico a seguir). Em agosto deste ano este grupo apresentou queda de apenas 1,9% em relação a igual mês do ano passado.



Fonte: IBGE



Dentro da categoria de bens de consumo, o destaque é o grupo de duráveis, que apresentou um desempenho bastante próximo ao de não duráveis (gráfico a seguir). Após apresentar uma queda de mais de 40% em dezembro de 2008, a produção industrial de duráveis apresentou em agosto de 2009 uma queda de apenas 3,7% em relação a agosto de 2008.

Fonte: IBGE



Do ponto de vista das vendas internas, os bens duráveis, com exceção de móveis e eletrodomésticos, apresentam um crescimento significativo (gráfico a seguir). No acumulado de janeiro a agosto deste ano, as vendas de veículos, motos, partes e peças apresentaram um crescimento de 4,4% em relação a igual período de 2008.

Fonte: IBGE

A tendência das vendas do varejo é manter o ritmo de crescimento, já que tanto o emprego quanto o crédito apresentam sinais favoráveis. Como se pode observar no gráfico a seguir, a recuperação da indústria tem se refletido num aumento no nível de pessoal ocupado. Após um período de 6 meses de queda, que vai de novembro de 2008 a maio de 2009, o pessoal ocupado na indústria voltou a crescer a partir de junho.

Fonte: IBGE



Curioso notar que o total de pessoal ocupado no mês de agosto na indústria (3605 mil pessoas) está muito próximo do registrado no emprego público (3.522 mil pessoas), que inclui administração pública, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais.

Os indicadores relativos ao crédito apresentam sinais positivos. A inadimplência, apesar do alto percentual, apresenta sinais de estabilização. Ao mesmo tempo, o volume de crédito para pessoa jurídica apresenta crescimento, o que pode refletir a própria recuperação da indústria.

Fonte: IBGE



Enfim, o desempenho da produção industrial só não é melhor porque as vendas externas ainda continuam desfavoráveis (gráfico a seguir). Na verdade, nos meses de julho e agosto nota-se uma piora no desempenho das exportações, principalmente de bens intermediários e não duráveis.

Fonte: Funcex



PANORAMA DE INVESTIMENTOS



Fonte: Elaboração Própria



Seguindo a trilha demarcada no relatório anterior, até 19 de outubro, o fluxo de capital estrangeiro permanecia como a força motora do mercado de capitais.

Com o capital total em Bolsa já acima do que havia antes da crise, as Pessoas Físicas continuavam a se retirar lentamente do mercado, substituídas pelos estrangeiros, e o dólar já estava abaixo do fundo histórico de agosto passado.

No dia seguinte, entretanto, houve uma alteração tributária que fez incidir a alíquota de 2% de IOF sobre o influxo de capitais para o País.

Com isso, é de se supor uma mudança estrutural no ambiente econômico cujas dimensões ainda não podem ser avaliadas.

Se a medida tiver sucesso em conter a apreciação cambial, haverá, por um lado um custo maior para a entrada de capitais, e por outro, o câmbio depreciado promoverá uma relativa amplificação do efeito sobre o capital, neutralizando parte dos eventuais ganhos já combalidos pelo imposto.

Se, entretanto, a medida não tiver sucesso, haverá, por um lado um custo maior para a entrada de capitais, mas por outro, o câmbio apreciado promoverá uma relativa amplificação dos ganhos, neutralizando o custo adicional.

Quando uma mudança estrutural como essa se apresenta, toda a inferência estatística perde relevância.

assim, os dados da economia americana têm apresentado melhoras consistentes, o que permite inferir que parte da pressão compradora se manterá.

Mas como mencionado no relatório anterior, ainda acreditamos que deverá haver um grande movimento de correção mundial quando a base monetária voltar a se contrair e a inflação aumentar.

Uma vez que o custo de entrada está mais alto, pode haver também alguma correção intermediária local à medida que investidores desfaçam posições para levantar recursos para a oferta pública da Petrobrás, que também ninguém pode dizer nesse momento quando ou como será.