Relatório de Acompanhamento da Conjuntura Econômica

Mês/Ano: Outubro-Dezembro/2009

Economista Responsável: Dimária Silva e Meirelles

Relatórios Anteriores

Fluxos de Capital

Gráficos
da Bolsa

Agenda Semanal

Se o texto
não aparece, clique aqui

Para receber este relatório regularmente clique aqui



PANORAMA ECONÔMICO



Dados preliminares divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que no acumulado do terceiro trimestre (janeiro a setembro) de 2009 o Produto Interno Bruto (PIB) a preços de mercado apresenta queda de 1,7% em relação ao acumulado em igual período de 2008 (tabela 1 a seguir).



Tabela 1 - Taxa Acumulada ao Longo do Ano (variação em volume em relação ao mesmo período do ano anterior - %) Dados preliminares - 3º Trimestre de 2009

Setor de atividade

2008.III

2008.IV

2009.I

2009.II

2009.III

Agropecuária

6,7

5,7

(-) 2,8

(-) 3,7

(-) 5,3

Indústria

6,9

4,4

(-) 10,4

(-) 9,5

(-) 8,6

  Extrativa mineral

6,4

4,9

(-) 2,6

(-) 2,2

(-) 2,1

  Transformação

6,4

3,2

(-) 14,0

(-) 12,3

(-) 10,7

  Construção civil

10,3

8,2

(-) 9,6

(-) 9,5

(-) 9,1

  Prod. e distrib.de eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana

5,2

4,8

(-) 4,2

(-) 4,0

(-) 3,7

Serviços

5,8

4,8

1,7

1,9

1,9

   Comércio

8,9

6,1

(-) 6,0

(-) 4,9

(-) 4,2

   Transporte, armazenagem e correio

5,5

3,4

(-) 6,2

(-) 5,8

(-) 4,8

  Serviços de informação

8,8

8,9

6,4

6,6

5,9

  Interm. financ, seguros, prev. complem. e serv. Relacionados

15,4

13,0

6,2

5,6

5,8

  Outros serviços

4,6

4,2

5,8

6,0

5,6

  Atividades imobiliárias e aluguéis

2,1

1,6

1,3

1,4

1,4

  Adm., saúde e educação públicas

1,3

1,5

3,4

3,2

3,2

Valor adicionado a preços básicos

6,2

4,8

(-) 1,8

(-) 1,5

(-) 1,4

Impostos líquidos sobre produtos

9,4

7,4

(-) 4,2

(-) 3,8

(-) 3,2

PIB a preços de mercado

6,6

5,1

(-) 2,1

(-) 1,9

(-) 1,7

Despesa de consumo das famílias

8,2

7,0

1,5

2,3

2,8

Despesa de consumo da administração pública

2,1

1,6

4,3

4,1

3,3

Formação bruta de capital fixo

17,2

13,4

(-) 14,2

(-) 15,1

(-) 14,2

Exportação de bens e serviços

1,6

(-) 0,6

(-) 15,4

(-) 13,2

(-) 12,1

Importação de bens e serviços (-)

21,9

18,0

(-) 15,8

(-) 16,2

(-) 16,0

Fonte: IBGE



O pior desempenho continua sendo da indústria, principalmente a indústria de transformação, que acumula de janeiro a setembro de 2009 queda de 10,7% em relação a igual período de 2008. Nesta mesma base de comparação, o setor de serviços é o que apresenta melhor desempenho, conseguindo acumular um crescimento de 1,9%.

Grande parte do desempenho econômico neste período se sustenta nas despesas internas, tanto das famílias quanto da administração pública, pois tanto a formação bruta de capital fixo quanto as exportações e importações apresentaram fortes quedas. Vale destacar as despesas da administração pública, que apresentaram um crescimento de 3,3% no acumulado de janeiro a setembro de 2009 em relação ao acumulado em igual período de 2008.

Considerando que a crise financeira internacional atingiu mais fortemente a indústria a partir de outubro de 2008, é de se esperar que no último bimestre do ano as taxas comecem a ficar positivas. Como se pode observar no gráfico a seguir, apesar das taxas ainda negativas, há uma tendência de recuperação na produção da indústria.



Fonte: IBGE



Na análise por categoria de uso, verifica-se que a produção industrial de bens de consumo apresentou pela primeira vez no ano uma variação mensal positiva, conseguindo crescer 0,2% em relação a outubro do ano passado (gráfico a seguir). Nesta mesma base de comparação, a produção de bens intermediários ainda apresenta queda (-2.5%), porém uma queda bem inferior ao registrado em meses anteriores.

O segmento de bens de capital vem apresentando uma lenta porém constante recuperação na produção. A produção de outubro apresentou uma queda de 16,8% em relação a outubro do ano passado. É uma queda significativa quando se compara com os demais segmentos, porém é a menor queda mensal do segmento registrada no ano.

Fonte: IBGE

O bom desempenho da produção de bens de consumo encontra respaldo nas vendas internas. Como se pode observar no gráfico a seguir, desde agosto do ano passado as vendas no varejo apresentam taxas de crescimento mensais positivas.

Interessante observar que a variação mensal da receita de vendas no varejo vinha desde janeiro de 2008 em patamares bem superiores à variação no volume de vendas. A partir de fevereiro deste ano, estas variações se aproximam, sendo que em alguns meses o crescimento da receita nominal foi até inferior ao volume de vendas. Todavia, em outubro, a variação da receita nominal volta a superar a variação em termos de volume. No acumulado do ano até outubro, o crescimento da receita nominal de vendas (9,7%) ainda é bem superior ao registrado em termos de volume (5,1%).

Fonte: IBGE



Por segmento destaca-se o vigor das vendas de veículos e as de hipermercados e supermercados (gráfico a seguir). No mês de outubro o volume de vendas de veículos, motos, partes e peças cresceu 18,9% em relação a igual mês do ano passado. Nota-se uma efetiva recuperação do ritmo de crescimento no setor. No acumulado de janeiro a outubro deste ano o volume de vendas deste segmento apresenta um crescimento de 7,5% em relação ao acumulado em igual período de 2008.

O segmento de hipermercados e supermercados se destaca pela manutenção de um ritmo de crescimento elevado no volume de vendas desde abril deste ano. Em alguns meses as taxas de crescimento chegam a dois dígitos. No acumulado do ano até outubro, este é o segmento que apresenta o maior crescimento em termos de volume de vendas: 8,0% em relação ao acumulado em igual período do ano passado.

Por outro lado, o segmento de combustíveis e lubrificantes vem desde abril deste ano apresentando queda no volume de vendas mensal. Em outubro houve um leve crescimento de 0,6% em relação a outubro de 2008. No acumulado do ano até outubro, o crescimento de vendas deste segmento é praticamente nulo (0,07%).



Fonte: IBGE



Mas o pior desempenho ainda é de tecidos, vestuário e calçados. Desde dezembro de 2008 este grupo de atividades vem apresentando quedas consecutivas no volume das vendas internas. No acumulado de janeiro a outubro o grupo amarga uma queda de 5,2% em relação ao acumulado no mesmo período de 2008.

Em relação às vendas externas, o cenário ainda continua desfavorável (gráfico a seguir). Em outubro deste ano, o total exportado (US$ 14 bilhões) é bem inferior ao registrado em outubro de 2008 (US$ 18 bilhões). O patamar atual é inferior ao registrado em outubro de 2007 (US$ 15,7 bilhões).

Fonte: Funcex



Segundo informações do Banco Central, a expectativa média do mercado é que o PIB este ano feche com uma variação praticamente nula (tabela 2 a seguir). Os piores desempenhos são da indústria, que deverá fechar o ano com uma queda no PIB de 4,4% em relação a 2008. As exportações deverão fechar em US$ 154 bilhões, representando uma queda de mais de 20% em relação a 2008. Por outro lado, as importações também fecham em queda (US$129 bilhões, contra US4 173 bi registrados em 2008).



Tabela 2. Projeção de variáveis econômicas – Brasil – 2009 e 2010 (média das expectativas do mercado)

Variável

Projeção*

2009

2010

PIB TOTAL (Var %)

0,19

4,92

PIB Agropecuária (Var %)

-1,44

4,39

PIB Indústria (Var %)

-4,38

5,39

PIB Serviços (Var %)

2,50

4,04

Exportações (US$ bilhões)

154,34

172,34

Importações (US$ bilhões)

129,98

160,30

Saldo Balança Comercial (US$ bilhões)

24,41

11,81

Saldo Conta Corrente (US$ bilhões)

-18,11

-37,82

Investimento Estrangeiro Direto Líquido (US$ bilhões)

25,75

34,68

Resultado Fiscal Primário (% do PIB no ano)

1,62

2,32

Dívida Líquida do Setor Público (% do PIB no ano)

43,77

42,26

IGP-M (Var %)

-1,14

4,49

IPCA (Var %)

4,25

4,43

Taxa de Câmbio (R$/US$ fim de período)

1,73

1,75

Taxa Over-Selic (% a.a. meta fim de período)

8,78

10,44




* Média das expectativas do mercado em 04/12/2009.

Fonte: BACEN.

Enfim, pode-se afirmar que 2009 é um ano para a economia brasileira em que o crescimento está fortemente apoiado no mercado interno. As variáveis condicionantes do crescimento das vendas internas, como o emprego a renda e o crédito, ainda continuam bastante favoráveis. Como nota-se no gráfico a seguir, há uma queda significativa no pessoal desocupado. A taxa de desocupação em novembro registrou o menor percentual do ano (7,4%).

Fonte: IBGE



Como se verifica no gráfico a seguir, o crédito continua em expansão, tanto para pessoa física quanto jurídica, e a inadimplência, após um período de forte crescimento, tem se estacionado entre 4% e 4,5%.

Fonte: IBGE



PANORAMA PARA INVESTIMENTOS



Como se verifica na tabela abaixo, o IBOV subiu 75,57% no ano, mas ainda não voltou ao patamar anterior à crise. Parece ter havido uma valorização superior à melhora da situação real, o que pode causar uma correção no 1º ou segundo trimestres.

Variação no Capital em Bolsa até 21/12/2009


IBOV
(%)

Capital Total
(Bilhões de Reais)

Pessoas Físicas
(Bilhões de Reais)

Estrangeiros
(Bilhões de Reais)

No dia

-1,3%

-0,22

-0,33

0,18

No mês

-1,67%

-0,82

-0,26

0,50

No ano

75,57%

14,65

-9,24

20,59

Desde a queda

-10,23%

5,78

-1,25

-6,99

Fonte: Elaboração Própria

Além disso, conforme a figura abaixo, o Fluxo de capital estrangeiro parou desde meados de outubro, o que pode sinalizar um exaurimento de sua força.

Fonte: Elaboração Própria

Corrobora esta visão a perspectiva de aumento de juros nos EUA, que vai provocar um aperto de liquidez, forçando a desmontagem de operações alavancadas sobre a captação em renda fixa a juro real negativo para aplicação em renda variável e comódities.

No entanto, o panorama de longo prazo é favorável à bolsa, merecendo uma atenção maior a partir do segundo semestre de 2010, quando o quadro de possível queda já deve estar definido.

No primeiro semestre, a atenção deve ser maior à renda fixa pós fixada, diante da perspectiva de aumento de juros local e globalmente.