Relatório de Acompanhamento da Conjuntura Econômica
Economista Responsável: Dimária Silva e Meirelles
PANORAMA ECONÔMICO
Dados preliminares divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que no acumulado do terceiro trimestre (janeiro a setembro) de 2009 o Produto Interno Bruto (PIB) a preços de mercado apresenta queda de 1,7% em relação ao acumulado em igual período de 2008 (tabela 1 a seguir).
Tabela 1 - Taxa Acumulada ao Longo do Ano (variação em volume em relação ao mesmo período do ano anterior - %) Dados preliminares - 3º Trimestre de 2009
|
Setor de atividade |
2008.III |
2008.IV |
2009.I |
2009.II |
2009.III |
|
Agropecuária |
6,7 |
5,7 |
(-) 2,8 |
(-) 3,7 |
(-) 5,3 |
|
Indústria |
6,9 |
4,4 |
(-) 10,4 |
(-) 9,5 |
(-) 8,6 |
|
Extrativa mineral |
6,4 |
4,9 |
(-) 2,6 |
(-) 2,2 |
(-) 2,1 |
|
Transformação |
6,4 |
3,2 |
(-) 14,0 |
(-) 12,3 |
(-) 10,7 |
|
Construção civil |
10,3 |
8,2 |
(-) 9,6 |
(-) 9,5 |
(-) 9,1 |
|
Prod. e distrib.de eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana |
5,2 |
4,8 |
(-) 4,2 |
(-) 4,0 |
(-) 3,7 |
|
Serviços |
5,8 |
4,8 |
1,7 |
1,9 |
1,9 |
|
Comércio |
8,9 |
6,1 |
(-) 6,0 |
(-) 4,9 |
(-) 4,2 |
|
Transporte, armazenagem e correio |
5,5 |
3,4 |
(-) 6,2 |
(-) 5,8 |
(-) 4,8 |
|
Serviços de informação |
8,8 |
8,9 |
6,4 |
6,6 |
5,9 |
|
Interm. financ, seguros, prev. complem. e serv. Relacionados |
15,4 |
13,0 |
6,2 |
5,6 |
5,8 |
|
Outros serviços |
4,6 |
4,2 |
5,8 |
6,0 |
5,6 |
|
Atividades imobiliárias e aluguéis |
2,1 |
1,6 |
1,3 |
1,4 |
1,4 |
|
Adm., saúde e educação públicas |
1,3 |
1,5 |
3,4 |
3,2 |
3,2 |
|
Valor adicionado a preços básicos |
6,2 |
4,8 |
(-) 1,8 |
(-) 1,5 |
(-) 1,4 |
|
Impostos líquidos sobre produtos |
9,4 |
7,4 |
(-) 4,2 |
(-) 3,8 |
(-) 3,2 |
|
PIB a preços de mercado |
6,6 |
5,1 |
(-) 2,1 |
(-) 1,9 |
(-) 1,7 |
|
Despesa de consumo das famílias |
8,2 |
7,0 |
1,5 |
2,3 |
2,8 |
|
Despesa de consumo da administração pública |
2,1 |
1,6 |
4,3 |
4,1 |
3,3 |
|
Formação bruta de capital fixo |
17,2 |
13,4 |
(-) 14,2 |
(-) 15,1 |
(-) 14,2 |
|
Exportação de bens e serviços |
1,6 |
(-) 0,6 |
(-) 15,4 |
(-) 13,2 |
(-) 12,1 |
|
Importação de bens e serviços (-) |
21,9 |
18,0 |
(-) 15,8 |
(-) 16,2 |
(-) 16,0 |
Fonte: IBGE
O pior desempenho continua sendo da indústria, principalmente a indústria de transformação, que acumula de janeiro a setembro de 2009 queda de 10,7% em relação a igual período de 2008. Nesta mesma base de comparação, o setor de serviços é o que apresenta melhor desempenho, conseguindo acumular um crescimento de 1,9%.
Grande parte do desempenho econômico neste período se sustenta nas despesas internas, tanto das famílias quanto da administração pública, pois tanto a formação bruta de capital fixo quanto as exportações e importações apresentaram fortes quedas. Vale destacar as despesas da administração pública, que apresentaram um crescimento de 3,3% no acumulado de janeiro a setembro de 2009 em relação ao acumulado em igual período de 2008.
Considerando que a crise financeira internacional atingiu mais fortemente a indústria a partir de outubro de 2008, é de se esperar que no último bimestre do ano as taxas comecem a ficar positivas. Como se pode observar no gráfico a seguir, apesar das taxas ainda negativas, há uma tendência de recuperação na produção da indústria.

Fonte: IBGE
Na análise por categoria de uso, verifica-se que a produção industrial de bens de consumo apresentou pela primeira vez no ano uma variação mensal positiva, conseguindo crescer 0,2% em relação a outubro do ano passado (gráfico a seguir). Nesta mesma base de comparação, a produção de bens intermediários ainda apresenta queda (-2.5%), porém uma queda bem inferior ao registrado em meses anteriores.
O segmento de bens de capital vem apresentando uma lenta porém constante recuperação na produção. A produção de outubro apresentou uma queda de 16,8% em relação a outubro do ano passado. É uma queda significativa quando se compara com os demais segmentos, porém é a menor queda mensal do segmento registrada no ano.

Fonte: IBGE
O bom desempenho da produção de bens de consumo encontra respaldo nas vendas internas. Como se pode observar no gráfico a seguir, desde agosto do ano passado as vendas no varejo apresentam taxas de crescimento mensais positivas.
Interessante observar que a variação mensal da receita de vendas no varejo vinha desde janeiro de 2008 em patamares bem superiores à variação no volume de vendas. A partir de fevereiro deste ano, estas variações se aproximam, sendo que em alguns meses o crescimento da receita nominal foi até inferior ao volume de vendas. Todavia, em outubro, a variação da receita nominal volta a superar a variação em termos de volume. No acumulado do ano até outubro, o crescimento da receita nominal de vendas (9,7%) ainda é bem superior ao registrado em termos de volume (5,1%).

Fonte: IBGE
Por segmento destaca-se o vigor das vendas de veículos e as de hipermercados e supermercados (gráfico a seguir). No mês de outubro o volume de vendas de veículos, motos, partes e peças cresceu 18,9% em relação a igual mês do ano passado. Nota-se uma efetiva recuperação do ritmo de crescimento no setor. No acumulado de janeiro a outubro deste ano o volume de vendas deste segmento apresenta um crescimento de 7,5% em relação ao acumulado em igual período de 2008.
O segmento de hipermercados e supermercados se destaca pela manutenção de um ritmo de crescimento elevado no volume de vendas desde abril deste ano. Em alguns meses as taxas de crescimento chegam a dois dígitos. No acumulado do ano até outubro, este é o segmento que apresenta o maior crescimento em termos de volume de vendas: 8,0% em relação ao acumulado em igual período do ano passado.
Por outro lado, o segmento de combustíveis e lubrificantes vem desde abril deste ano apresentando queda no volume de vendas mensal. Em outubro houve um leve crescimento de 0,6% em relação a outubro de 2008. No acumulado do ano até outubro, o crescimento de vendas deste segmento é praticamente nulo (0,07%).

Fonte: IBGE
Mas o pior desempenho ainda é de tecidos, vestuário e calçados. Desde dezembro de 2008 este grupo de atividades vem apresentando quedas consecutivas no volume das vendas internas. No acumulado de janeiro a outubro o grupo amarga uma queda de 5,2% em relação ao acumulado no mesmo período de 2008.
Em relação às vendas externas, o cenário ainda continua desfavorável (gráfico a seguir). Em outubro deste ano, o total exportado (US$ 14 bilhões) é bem inferior ao registrado em outubro de 2008 (US$ 18 bilhões). O patamar atual é inferior ao registrado em outubro de 2007 (US$ 15,7 bilhões).

Fonte: Funcex
Segundo informações do Banco Central, a expectativa média do mercado é que o PIB este ano feche com uma variação praticamente nula (tabela 2 a seguir). Os piores desempenhos são da indústria, que deverá fechar o ano com uma queda no PIB de 4,4% em relação a 2008. As exportações deverão fechar em US$ 154 bilhões, representando uma queda de mais de 20% em relação a 2008. Por outro lado, as importações também fecham em queda (US$129 bilhões, contra US4 173 bi registrados em 2008).
Tabela 2. Projeção de variáveis econômicas – Brasil – 2009 e 2010 (média das expectativas do mercado)
|
Variável |
Projeção* |
|
|
2009 |
2010 |
|
|
PIB TOTAL (Var %) |
0,19 |
4,92 |
|
PIB Agropecuária (Var %) |
-1,44 |
4,39 |
|
PIB Indústria (Var %) |
-4,38 |
5,39 |
|
PIB Serviços (Var %) |
2,50 |
4,04 |
|
Exportações (US$ bilhões) |
154,34 |
172,34 |
|
Importações (US$ bilhões) |
129,98 |
160,30 |
|
Saldo Balança Comercial (US$ bilhões) |
24,41 |
11,81 |
|
Saldo Conta Corrente (US$ bilhões) |
-18,11 |
-37,82 |
|
Investimento Estrangeiro Direto Líquido (US$ bilhões) |
25,75 |
34,68 |
|
Resultado Fiscal Primário (% do PIB no ano) |
1,62 |
2,32 |
|
Dívida Líquida do Setor Público (% do PIB no ano) |
43,77 |
42,26 |
|
IGP-M (Var %) |
-1,14 |
4,49 |
|
IPCA (Var %) |
4,25 |
4,43 |
|
Taxa de Câmbio (R$/US$ fim de período) |
1,73 |
1,75 |
|
Taxa Over-Selic (% a.a. meta fim de período) |
8,78 |
10,44 |
|
|
||
* Média das expectativas do mercado em 04/12/2009.
Fonte: BACEN.
Enfim, pode-se afirmar que 2009 é um ano para a economia brasileira em que o crescimento está fortemente apoiado no mercado interno. As variáveis condicionantes do crescimento das vendas internas, como o emprego a renda e o crédito, ainda continuam bastante favoráveis. Como nota-se no gráfico a seguir, há uma queda significativa no pessoal desocupado. A taxa de desocupação em novembro registrou o menor percentual do ano (7,4%).

Fonte: IBGE
Como se verifica no gráfico a seguir, o crédito continua em expansão, tanto para pessoa física quanto jurídica, e a inadimplência, após um período de forte crescimento, tem se estacionado entre 4% e 4,5%.

Fonte: IBGE
PANORAMA PARA INVESTIMENTOS
Como se verifica na tabela abaixo, o IBOV subiu 75,57% no ano, mas ainda não voltou ao patamar anterior à crise. Parece ter havido uma valorização superior à melhora da situação real, o que pode causar uma correção no 1º ou segundo trimestres.
|
Variação no Capital em Bolsa até 21/12/2009 |
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IBOV |
Capital
Total |
Pessoas
Físicas |
Estrangeiros |
|
No dia |
-1,3% |
-0,22 |
-0,33 |
0,18 |
|
No mês |
-1,67% |
-0,82 |
-0,26 |
0,50 |
|
No ano |
75,57% |
14,65 |
-9,24 |
20,59 |
|
Desde a queda |
-10,23% |
5,78 |
-1,25 |
-6,99 |
Fonte: Elaboração Própria
Além disso, conforme a figura abaixo, o Fluxo de capital estrangeiro parou desde meados de outubro, o que pode sinalizar um exaurimento de sua força.

Fonte: Elaboração Própria
Corrobora esta visão a perspectiva de aumento de juros nos EUA, que vai provocar um aperto de liquidez, forçando a desmontagem de operações alavancadas sobre a captação em renda fixa a juro real negativo para aplicação em renda variável e comódities.
No entanto, o panorama de longo prazo é favorável à bolsa, merecendo uma atenção maior a partir do segundo semestre de 2010, quando o quadro de possível queda já deve estar definido.
No primeiro semestre, a atenção deve ser maior à renda fixa pós fixada, diante da perspectiva de aumento de juros local e globalmente.